Como cada número desta casa é feito

Nenhum indicador aqui vem de agregador ou de estimativa de terceiro. Tudo sai da demonstração que a companhia protocolou na CVM e do arquivo diário da B3. Esta página existe para você conferir o método — e para saber onde ele pode falhar, porque toda fonte tem um jeito de enganar quem não olha.

Trimestre isolado, nunca acumulado

receita do 2T26 = a linha com janela 01/04 → 30/06
(não a linha 01/01 → 30/06)

No ITR a demonstração de resultado vem duas vezes para a mesma competência: o acumulado do ano e o trimestre isolado. Este site usa sempre o isolado, e mostra a janela real de cada linha.

A armadilha: Somar os dois produz um número que não existe em documento nenhum. No 2T26 da MGLU3, misturar daria a receita do semestre (R$ 18,10 bi) com o prejuízo do trimestre (−R$ 72,5 mi) — uma margem inventada, sem nenhum erro visível na tela.

O 4º trimestre é calculado, e vem marcado

4T = ano inteiro (DFP) − primeiros nove meses (ITR do 3T)

A CVM não publica o quarto trimestre isolado: a DFP traz o ano fechado. Toda linha de dezembro nesta casa carrega o rótulo “calculado”, e o indicador que a usa avisa na mesma tela.

A armadilha: Balanço patrimonial não entra nessa conta. Ele é foto na data, não janela — subtrair patrimônio de patrimônio não significa nada. Por isso a tabela de balanço não tem valor calculado.

Preço sobre lucro, sem estimar número de ações

P/L = último fechamento ÷ lucro por ação dos últimos 12 meses

O lucro por ação vem da própria demonstração, na classe do papel — PETR4 é PN, então o divisor é o LPA da PN. Assim o múltiplo não depende de nenhuma contagem de ações estimada por fora.

A armadilha: Existem dois dialetos opostos na CVM. A Petrobras declara o LPA na conta da classe (3.99.01.01) e deixa a conta-pai zerada; o Banco do Brasil faz o contrário. Ler só um dos dois perde todo um setor em silêncio, porque zero é um número válido e a soma de quatro zeros não levanta erro nenhum.

Quando o site se recusa a mostrar um múltiplo

Companhia com prejuízo nos doze meses (P/L negativo não informa nada); lucro por ação que não reconcilia com o lucro publicado — a PINE3 informou 190.833, o que implicaria 2.742 ações na empresa inteira; e patrimônio líquido negativo, que derruba P/VP, ROE e alavancagem de uma vez, porque dividir por patrimônio negativo inverte o sinal — prejuízo apareceria como retorno recorde.

A armadilha: A conferência é cruzada, com dado que já estava aqui: lucro dos 12 meses dividido pelo LPA tem que dar um número de ações plausível para companhia listada. Fora da faixa, a página recusa — e diz por quê, no lugar do número. Célula vazia sem explicação seria pior: o leitor a interpreta como zero, ou como falha do site.

Valor de mercado, classe por classe

valor de mercado = ações ON × preço da ON + ações PN × preço da PN

A quantidade de ações vem do capital social declarado no FRE, com a quebra ON/PN — nunca derivada do lucro dividido pelo LPA, que erra sempre que as classes têm LPA diferente. Como a PETR3 e a PETR4 fecham em preços diferentes todo dia, a soma vai classe por classe, e as duas páginas mostram o mesmo valor de mercado — que é o da companhia. O P/VP divide o patrimônio líquido pelo total de ações: por isso ON e PN têm o mesmo VPA, e o que muda entre elas é o preço.

A armadilha: O FRE traz quatro tipos de capital, e o “autorizado” não é ação emitida — é o teto do estatuto, às vezes declarado em reais: usá-lo daria à MGLU3 um valor de mercado 536 vezes menor. O mesmo arquivo repete o tipo certo uma vez por aprovação, com as antigas ainda dentro. Vale a aprovação mais recente do capital integralizado; unit não entra na soma, porque é pacote das outras classes, não uma classe a mais. E o FRE é anual: a data de referência do capital fica escrita na página. Uma exceção medida: classe sem negociação com até 0,1% do capital fica fora da soma com a quantidade dita na página — a Vale tem 12 golden shares da União, e recusar o valor de mercado da maior mineradora da bolsa por doze ações seria esconder-se atrás da regra.

EBITDA, dívida e os múltiplos que saem deles

EBITDA = resultado operacional + depreciação e amortização (da DFC)

O D&A não tem conta própria: é linha de ajuste da demonstração de fluxo de caixa, com nome livre — e a DFC só publica o acumulado do ano, nunca o trimestre. O trimestre nasce da diferença entre acumulados vizinhos; sem o vizinho, o EBITDA daquela janela não existe e a página diz isso. A dívida bruta soma as duas contas de empréstimos do balanço (circulante e não circulante), a líquida desconta caixa e aplicações, e o EV soma a dívida líquida ao valor de mercado. Margem bruta usa o resultado bruto (conta 3.03), o único código de DRE que é o mesmo em todos os planos de contas. O CAGR de 5 anos exige os dois extremos publicados e positivos — taxa que atravessa um ano de prejuízo não é taxa de nada.

A armadilha: No plano de contas bancário, os códigos onde o plano comum guarda empréstimos carregam OUTRA coisa — “Relações Interfinanceiras” e “Depósitos”. Por isso a dívida casa por código E nome: banco e seguradora saem sem dívida de balanço e sem EV, com o motivo escrito, em vez de saírem com uma “dívida” feita de depósito de cliente. E companhias publicam o D&A picado em até três linhas (“Depreciação e Amortização” + “Depreciação de Direito de Uso”): somam-se as folhas, nunca linha que é subtotal de outra.

Proventos: o registro da B3, por classe e por data-com

DY 12m = soma dos proventos por ação com data-com nos últimos 365 dias ÷ preço atual

Dividendo, JCP e rendimento vêm do registro público de proventos da própria B3 — o valor por ação com classe (ON, PN), data de aprovação e data-com. O DY é por data-com, que é de quem segurava o papel no dia, e por CLASSE: o da PETR4 soma só os proventos da PN. O payout multiplica o provento de cada classe pelo número de ações dela (do FRE) e divide pelo lucro dos doze meses — e só aparece quando a companhia opera em ON e PN simples, porque ratear com PNA/PNB ou unit no meio seria chute. Nos FIIs, o mesmo registro traz o R$ por cota com competência e data de pagamento — o que o Informe Mensal não publica.

A armadilha: O JCP é BRUTO: há 15% de IR na fonte para pessoa física, e o yield líquido é menor — está escrito ao lado da tabela. Registro antigo vem por lote de mil ações (o campo quotedPerShares), e sem a divisão o DY histórico sairia mil vezes maior. E ausência de registro não vira 0%: DY zero é “tem registro e não pagou”; sem registro nenhum, a página diz isso.

FII: o fundamento é o Informe Mensal, e a ponte é o ISIN

P/VP da cota = preço da B3 ÷ valor patrimonial declarado no informe

Patrimônio, VP da cota, cotistas, DY e rentabilidade do mês vêm do Informe Mensal que cada fundo entrega à CVM — publicados como o fundo declarou, com a competência escrita na página. A ponte entre o CNPJ do informe e o ticker da B3 é o ISIN, publicado dos dois lados; nome abreviado não entra, porque já produziu casamento errado. O P/VP só aparece com informe de menos de seis meses: VP antigo contra preço de hoje é múltiplo que mente.

A armadilha: Até 2020 a coluna do CNPJ chamava CNPJ_Fundo; a Resolução 175 renomeou para CNPJ_Fundo_Classe — ler só o nome novo pula cinco anos em silêncio. O rendimento em R$ por cota não está no informe (só o percentual), e a vacância a CVM publica por imóvel — número por fundo exigiria um peso que a fonte não dá, então nenhum dos dois é inventado.

Consolidado antes de individual

Companhia com controlada publica as duas demonstrações; o consolidado é o que descreve o negócio inteiro. Quem não tem controlada só publica a individual — e aí ela é o número certo, não um substituto pior. A página diz qual das duas está na tela.

A previsão de entrega é hábito medido

previsão = fim do próximo período + mediana histórica desta companhia

Quantos dias esta companhia costuma levar entre o fim do trimestre e o protocolo, medido em todas as entregas que ela já fez. A faixa mínima e máxima aparece ao lado, porque mediana sozinha esconde a dispersão.

A armadilha: Não é promessa da empresa. A CVM não publica agenda futura em dado aberto — existe a categoria “Calendário de Eventos Corporativos”, mas a data prevista está dentro do documento, não numa coluna. Calendário de agregador é palpite que desliza: o mesmo conjunto de empresas aparece empurrado de um dia para o outro.

Vinte e seis anos de preço, crus — e o que isso não diz

retorno de N anos = fechamento do mês atual ÷ fechamento do mesmo mês N anos antes − 1

Desde 02/09/2026 o acervo tem o COTAHIST da B3 de 2000 até hoje, só o mercado à vista (antes do real há três moedas no caminho — série cruzando redenominação não é número). A janela de máxima, mínima e variação passou a ser 52 semanas de verdade; os retornos de 1, 3, 5 e 10 anos saem do fechamento mensal, e o gráfico longo mostra o mensal desde 2000. Tudo PREÇO CRU: sem ajuste por provento nem por evento societário — a B3 não publica o fator, e inferi-lo seria número nosso.

A armadilha: Retorno que atravessa grupamento ou desdobramento compara bases de ações diferentes, e a página RECUSA a janela que contém um. O evento é reconhecido por dois sinais: o salto de preço (fechamento saindo de 0,4×–2,5× de um dia para o outro) e — desde 04/09/2026 — a marca que a própria B3 escreve na linha do arquivo, EB para bonificação e desdobramento, EG para grupamento. O segundo sinal existe porque o primeiro tinha um buraco no meio: desdobramento 2:1 divide o preço por 2 e 3:2 por 1,5, os dois DENTRO da banda aceita, nunca marcados. O BBAS3 publicava “retorno de 5 anos −22,98%” quando, considerado o desdobramento de abril de 2024, o retorno é positivo — o sinal trocado. Eram 73 papéis assim. Alargar a banda não resolveria: passaria a chamar de evento societário toda queda real de 50%. Ler a marca resolve sem inventar número. O que ainda não é pego: provento grande, que derruba o preço sem mudar a base de ações — o retorno cru de quem paga muito dividendo subestima o retorno total. Está escrito ao lado dos números, e o gráfico marca em tracejado os saltos que encontrou.

O rótulo da janela diz o que ela mede

Desde 02/09/2026 o fechamento vai de 2000 até hoje, e a janela de máxima, mínima e variação é de 52 semanas de verdade. Antes disso a série começava em 02/01/2026 — e este site chamava aquilo de “janela”, nunca de “12 meses” ou “52 semanas”, porque não eram. Rótulo que promete mais do que o dado tem é a mentira mais fácil de publicar; quando o dado cresceu, o rótulo cresceu junto, não antes.

A armadilha: O eixo vertical do gráfico não começa no zero — numa série de preço isso achataria justamente a variação. Por isso a máxima e a mínima aparecem escritas na borda: eixo truncado sem escala visível é o gráfico mais fácil de mentir com.

Retorno real: as duas pontas no último mês de IPCA

real = (fechamento em jul/26 ÷ fechamento em jul/16) ÷ Π(1 + IPCA mensal) − 1

Os retornos de 1, 3, 5 e 10 anos vêm em duas versões: nominal, até o último fechamento, e real, descontado o IPCA do Banco Central (série 433). O real está escrito no mesmo cartão, com a data até onde vale.

A armadilha: O IPCA atrasa. O índice de um mês sai por volta do dia 10 do seguinte, e o preço de bolsa vai até ontem: em setembro de 2026 o preço ia até setembro e o IPCA até julho. Deflacionar o retorno de hoje pelo índice de julho usaria dois meses de inflação que ainda não existem. Por isso o real alinha as duas pontas no último mês com IPCA — nominal e real cobrem janelas diferentes por um ou dois meses, e a página diz qual é qual em vez de fingir que terminam juntas.

P/L e DY de cada exercício

P/L do ano = fechamento do mês do fim do exercício ÷ LPA daquele exercício
DY do ano = proventos com data-com no ano ÷ o mesmo fechamento

A tabela anual traz o múltiplo de cada exercício desde 2010, calculado com o preço da época — não com o de hoje. LPA e provento já são por ação, então nenhum dos dois precisa de contagem de ações. A conferência de escala do LPA (lucro ÷ LPA tem que dar um número de ações plausível) roda ano a ano, e o ano em que falha é recusado com o motivo.

A armadilha: O dialeto do LPA muda com o tempo. A mesma companhia declara na conta da classe em uns anos e na conta-pai em outros — a escolha tem de ser por exercício, não uma vez. Feita uma vez, pelo 12 meses corrente, o Banco do Brasil saía com P/L em 3 de 16 exercícios, recusando 2010–2012 por “prejuízo”: a conta escolhida estava zerada naqueles anos, e zero é “declarou noutra conta”, nunca prejuízo. Feita por ano, 15 de 16 — e as recusas que sobram são prejuízos de verdade, como a Petrobras de 2014 a 2016. Há mais três recusas, todas medidas na verificação de 04/09/2026: o ano em que o papel era cotado por lote de mil (o LPA da DFP da época pode estar por lote, e a fonte não diz — a CBEE3 saía com P/L 0,01); o desdobramento até seis meses depois do fim do exercício (a DFP pode trazer o LPA já reapresentado na base nova, e o preço do fim do ano fica na velha — o Santander publicava P/L 0,19 em 2013 com o LPA do grupamento de 2014); e o LPA que implica um número de ações incompatível com o capital do FRE, ou que destoa em mais de 4× dos dois anos vizinhos — o Itaú declarou o de 2019 numa escala que dava P/L 0,01 entre 13,9 e 16,4. P/L abaixo de 0,1 também não sai: é ganho extraordinário ou escala trocada, e nenhum dos dois informa. O DY do ano recusa quando há desdobramento dentro do exercício: os proventos por ação de antes e de depois não somam.

Milho: a curva de um pregão, pelo ajuste da B3

curva = ajuste de cada vencimento do milho (CCM) no mesmo pregão
US$/saca = ajuste ÷ PTAX de venda do mesmo dia

A curva usa o ajuste — o preço de referência que a B3 calcula no fechamento —, não o último negócio. Cada vencimento traz os pregões até a liquidação, os negócios do dia e a posição em aberto. Só o último pregão é publicado: a série histórica por contrato, pronta para baixar, seria redistribuir o dado da B3. O dólar é a PTAX de venda do Banco Central (série 1), do mesmo dia; o contrato é em reais, e a conversão é só leitura.

A armadilha: Ajuste não é negócio. Em 2026, 305 de 1.558 contrato-dias do milho tiveram ajuste sem nenhum negócio — preço arbitrado pela B3 (medido em 16/09/2026); o gráfico mostra esse ponto vazado. E a posição em aberto que vem no arquivo de ajuste de um dia é a do fechamento do dia anterior (conferido em 135 de 135 casos): a tabela diz isso em vez de misturar as datas em silêncio.

Carrego: o que o mercado paga para carregar, contra o que o juro cobra

spread = ajuste do vencimento longo − ajuste do curto
carrego a.a. = (longo ÷ curto)^(252 ÷ pregões do trecho) − 1
juro = ajuste do curto × (fator do DI no trecho − 1)
sobra = spread − juro

O trecho vai de um vencimento ao seguinte. O juro sai da curva do DI1 do mesmo pregão, interpolada em flat-forward — a convenção do mercado de DI —, e o carrego anualizado usa a mesma base de 252 dias úteis, para os dois caberem na mesma coluna. A sobra é o que fica para pagar armazenagem, seguro e quebra, que não têm fonte de mercado: quem digita esse custo é o leitor.

A armadilha: Carrego negativo não é custo negativo. Quando o vencimento longo vale menos que o curto — em 15/09/2026, de março a setembro de 2027 —, é a safra nova entrando no preço, e a sobra desse trecho não é desconto de armazenagem. Perto da liquidação a perna curta descola: a partir de 10 pregões a correlação entre as pernas cede, e no último pregão fica em 0,53 (77 contratos liquidados, 2014–2026); o trecho sai marcado, e ali o par deixa de ser hedge. Os dias úteis seguem o calendário de pregão da B3, que fecha em 24 e 31/12 — dias que o DI conta como úteis: até dois dias por ano de diferença no prazo do juro.

O que ainda não está aqui

Listado com o mesmo cuidado do que está. Indicador que precisa de dado ausente não é estimado nem aproximado — ele simplesmente não aparece, e a razão fica escrita.

  • P/VP de anos anteriores — o P/L e o DY de cada exercício estão na tabela anual, porque LPA e provento já são por ação. O P/VP precisaria do número de ações daquele ano — e o FRE guarda a quantidade da última aprovação sob a data de referência. Um P/VP de 2019 sairia com o capital de hoje
  • Cotação ajustada por provento e por grupamento — a B3 não publica o fator de ajuste, e inferi-lo seria número nosso. O site mostra a série crua, diz que é crua, recorta a janela de 52 semanas no evento e recusa o retorno multianual que o atravessa — em vez de fingir que ele não houve
  • Vacância de fundo imobiliário — a CVM publica por imóvel, e agregar por fundo exigiria um peso que a fonte não dá
  • Fundamento de FIAGRO depois de 2025 — a CVM moveu o Informe Mensal dos FIAGRO para um conjunto de dados próprio (Anexo VI da Resolução 175), que o acervo ainda não carrega. A cota listada que tem informe mostra o último do conjunto antigo, datado, e recusa o P/VP por idade — em vez de fingir que o fundo parou de reportar. FI-Infra e FIP-IE nunca estiveram nesse regime, e a página diz
  • Fundamento de fundo cujo ISIN aparece em dois cadastros — o campo ISIN do cadastro da CVM é digitado pelo fundo, e sete códigos negociam um ISIN que dois fundos declaram ao mesmo tempo (XPML11 entre eles). Escolher pelo nome seria palpite — a página mostra a cotação e diz por que o fundamento não está lá. Vínculo conferido à mão, quando houver, entra pelo acervo
  • Preço físico e base por praça do milho — a base é o físico da praça menos o futuro, e o preço físico por praça ainda não entra nesta casa. Base calculada contra um preço que a página não mostra seria número sem procedência na tela
  • Paridade de exportação do milho — precisa de Chicago por vencimento, do prêmio de porto e do frete — nenhum dos três está no acervo com a cobertura que a conta pede
  • Histórico da curva do milho — a página mostra um pregão por vez; a série de ajuste por contrato não é publicada para baixar